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Escuta Clássica

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Nível 1 — Primeiros passos

Neste primeiro ano você vai conhecer os nomes que todo mundo cita, as formas mais comuns (sinfonia, concerto, suíte, poema sinfônico) e os instrumentos da orquestra. As semanas alternam épocas e estilos de propósito: assim o ouvido aprende a comparar.

52 semanas.

Portas de entrada

Semanas 1 a 13

Obras famosas, diretas e cheias de melodia. O objetivo é criar o hábito de ouvir uma obra inteira, do começo ao fim.

Semana 1: O destino bate à porta

Por que ouvir

Talvez o começo mais conhecido de toda a música ocidental. Quatro notas viram uma sinfonia inteira, que sai da tensão do dó menor e chega à vitória do dó maior no final.

Preste atenção

O motivo curto-curto-curto-longo reaparece em todos os movimentos. Repare também que o terceiro movimento passa para o quarto sem pausa.

Semana 2: Um ano inteiro em quatro concertos

Por que ouvir

Quatro concertos para violino que descrevem as estações: pássaros, tempestades, caçadas, gelo. Vivaldi publicou a obra acompanhada de sonetos que explicam cada cena.

Preste atenção

Leia os sonetos enquanto ouve. No movimento lento da Primavera, as violas fazem o latido do cão do pastor que dorme.

Semana 3: Mozart, leve e profundo

Por que ouvir

Duas faces de Mozart: a serenata luminosa, feita para entreter, e uma das raras sinfonias dele em tom menor, inquieta do primeiro ao último compasso.

Preste atenção

Compare o clima do começo de cada obra. Na Sinfonia nº 40, a melodia surge sobre um acompanhamento nervoso das violas.

Semana 4: Balés de Tchaikovsky

Por que ouvir

Música feita para ser dançada, por isso as melodias são claras e as cenas, curtas. Muita gente conhece trechos destas suítes sem saber de onde vêm.

Preste atenção

Na Dança da Fada Açucarada, o som cintilante é da celesta, instrumento que Tchaikovsky trouxe de Paris e que era novidade para o público russo.

Semana 5: Paisagens do Norte

Por que ouvir

Música escrita para uma peça de teatro de Ibsen, cheia de imagens da Noruega. Na Suíte Holberg, Grieg imita as danças antigas do tempo de Bach.

Preste atenção

“Na gruta do rei da montanha” começa quase em silêncio e acelera até o caos. Acompanhe esse crescendo do início ao fim.

Semana 6: Viena dança

Por que ouvir

A música de baile da Viena do século XIX, que até hoje encerra o Concerto de Ano Novo da Filarmônica de Viena.

Preste atenção

Sinta o “um-dois-três” da valsa vienense: o segundo tempo costuma chegar um pouquinho adiantado, o que dá o balanço característico.

Semana 7: Saudade do outro lado do mar

Por que ouvir

Escrita nos Estados Unidos por um tcheco com saudade de casa. Mistura impressões da América com a música da Boêmia.

Preste atenção

O solo de corne inglês do segundo movimento virou canção popular depois. No finale, ouça os temas dos movimentos anteriores voltando.

Semana 8: Um zoológico na orquestra

Por que ouvir

Saint-Saëns proibiu a publicação do Carnaval enquanto viveu, com exceção de “O Cisne”, por achá-lo uma brincadeira. Hoje é uma das portas de entrada mais divertidas para a orquestra.

Preste atenção

Tente adivinhar cada animal antes de ler o título. Em “Fósseis”, o xilofone cita a própria Dança Macabra.

Semana 9: Aberturas de ópera

Por que ouvir

Rossini abria suas óperas com peças orquestrais tão empolgantes que elas ganharam vida própria nas salas de concerto.

Preste atenção

Procure o “crescendo rossiniano”: uma frase curta repetida várias vezes, com cada vez mais instrumentos e mais volume.

Semana 10: Bach e o concerto barroco

Por que ouvir

Seis concertos, cada um com uma combinação diferente de instrumentos. São a melhor vitrine do Barroco alemão. Os outros três ficam para o Nível 2.

Preste atenção

No nº 3 não há solista fixo: grupos de cordas conversam entre si. No nº 2, procure o trompete agudíssimo que brilha acima de todos.

Semana 11: Viagem pelo sistema solar

Por que ouvir

Sete movimentos, um para cada planeta e o caráter que a astrologia lhe atribuía. Influenciou boa parte da música de cinema do século XX.

Preste atenção

Compare a violência de Marte, num compasso de cinco tempos, com a calma de Vênus e a melodia larga do meio de Júpiter.

Semana 12: Villa-Lobos encontra Bach

Por que ouvir

O maior compositor brasileiro uniu o espírito de Bach à música popular do Brasil. A Ária da nº 5 é uma das obras brasileiras mais gravadas no mundo.

Preste atenção

Na nº 5, a soprano canta parte da Ária sem palavras, sobre uma orquestra só de violoncelos. No “Trenzinho do Caipira”, ouça a locomotiva partir, correr e frear.

Semana 13: Beethoven ao piano

Por que ouvir

O primeiro contato com o piano solo: três obras que todo mundo reconhece e que mostram por que Beethoven transformou o instrumento.

Preste atenção

Ouça a sonata “Ao Luar” inteira. O famoso primeiro movimento, lento e sereno, contrasta com um finale tempestuoso.

A orquestra e seus solistas

Semanas 14 a 26

Aprenda a reconhecer os instrumentos e o diálogo entre solista e orquestra nos concertos.

Semana 14: Conheça a orquestra

Por que ouvir

Duas obras feitas para ensinar. Britten apresenta cada família de instrumentos; Prokofiev dá um instrumento a cada personagem de uma história narrada.

Preste atenção

Use esta semana para aprender a separar madeiras, metais, cordas e percussão. Isso vai ajudar em todo o resto do guia.

Semana 15: O que é um concerto

Por que ouvir

Um concerto é o diálogo entre um solista e a orquestra. O de clarinete está entre as últimas obras que Mozart concluiu.

Preste atenção

Procure a cadência, o momento em que a orquestra para e o solista toca sozinho. O movimento lento do Concerto nº 21 ficou famoso no cinema.

Semana 16: O pai da sinfonia

Por que ouvir

Haydn escreveu mais de cem sinfonias e definiu o modelo que Mozart e Beethoven seguiriam. O concerto foi composto para um trompete com chaves, novidade na época.

Preste atenção

No segundo movimento da Sinfonia nº 94, deixe o volume confortável e espere a “surpresa”.

Semana 17: O concerto romântico

Por que ouvir

Começa com acordes enormes do piano sob uma melodia arrebatadora, que curiosamente nunca mais volta. É o concerto romântico em sua forma mais grandiosa.

Preste atenção

Repare como piano e orquestra disputam força nos movimentos rápidos e trocam delicadezas no movimento lento.

Semana 18: Mendelssohn, o jovem prodígio

Por que ouvir

Mendelssohn escreveu a abertura do Sonho aos 17 anos. O concerto para violino está entre os mais tocados de todo o repertório.

Preste atenção

No concerto, o violino entra logo no começo e os três movimentos se emendam. No Sonho, ouça as fadas nas cordas e o zurro do asno nos metais.

Semana 19: O violão diante da orquestra

Por que ouvir

O violão tem som pequeno, e colocá-lo diante de uma orquestra é um desafio. Dois mestres resolveram isso de jeitos diferentes.

Preste atenção

No Adagio de Aranjuez, o corne inglês apresenta a melodia que o violão depois ornamenta.

Semana 20: O poeta do piano

Por que ouvir

Peças curtas e íntimas, que pedem silêncio e atenção. Chopin escreveu quase só para piano e explorou o instrumento como ninguém.

Preste atenção

Repare no rubato: o pianista “rouba” tempo de uma nota e devolve em outra, como quem fala com emoção.

Semana 21: Depois da crise

Por que ouvir

Composto depois de uma depressão que deixou Rachmaninoff anos sem compor; ele o dedicou ao médico que o ajudou. É o romantismo tardio em sua forma mais generosa.

Preste atenção

Os acordes do início imitam sinos que crescem do pianíssimo ao fortíssimo, antes de a orquestra entrar com o tema.

Semana 22: Retratos de amigos

Por que ouvir

Cada variação é o retrato musical de um amigo do compositor. A marcha é a que se ouve em cerimônias de formatura pelo mundo.

Preste atenção

“Nimrod”, a nona variação, cresce devagar até um clímax enorme. Tente imaginar a personalidade retratada em cada variação.

Semana 25: Schubert inacabado

Por que ouvir

Schubert deixou a sinfonia com só dois movimentos, e ninguém sabe ao certo por quê. O quinteto é um primeiro contato com a música de câmara.

Preste atenção

No quarto movimento do quinteto, a canção “A Truta”, do próprio Schubert, vira tema com variações. Procure a melodia em cada uma.

Semana 26: Ravel, o mago da orquestra

Por que ouvir

Ravel foi um dos maiores mestres da orquestração. O Bolero é quase um experimento: uma melodia, um ritmo e um crescendo de quinze minutos.

Preste atenção

No Bolero, tente identificar cada instrumento que assume a melodia, e repare na caixa clara, que toca o mesmo ritmo do começo ao fim.

Música que conta histórias

Semanas 27 a 39

Música programática: obras que descrevem paisagens, personagens e narrativas.

Semana 27: Uma exposição de quadros

Por que ouvir

Mussorgsky retratou uma visita à exposição de um amigo pintor. A obra foi escrita para piano e ficou famosa na orquestração de Ravel.

Preste atenção

A “Promenade” volta entre os quadros: é o visitante caminhando pela galeria, com humor diferente a cada vez.

Semana 28: As Mil e Uma Noites

Por que ouvir

Os contos das Mil e Uma Noites na orquestra. O violino solo é a voz de Sherazade, que conta histórias para salvar a própria vida.

Preste atenção

Siga o violino solo, que reaparece no início de cada movimento. O sultão é o tema pesado dos metais logo na abertura.

Semana 29: O rio e as danças da Boêmia

Por que ouvir

Nacionalismo musical: dois compositores tchecos retratam seu rio e as danças de seu povo.

Preste atenção

A Moldávia acompanha o rio da nascente até Praga: duas flautas são as duas nascentes; depois vêm uma caçada, um casamento camponês e as corredeiras.

Semana 30: Uma sinfonia fantástica

Por que ouvir

Uma sinfonia de 1830 sobre um artista apaixonado: baile, cena no campo, marcha ao cadafalso e um sabá de bruxas. Ousada até hoje.

Preste atenção

A “ideia fixa”, a melodia que representa a amada, aparece em todos os movimentos, sempre transformada. No último, vira uma caricatura grotesca.

Semana 32: O som do impressionismo

Por que ouvir

Em vez de melodias bem definidas, cores, reflexos e atmosferas. Debussy mudou a forma de pensar o som orquestral.

Preste atenção

A flauta solitária que abre o Fauno é considerada por muitos o ponto de partida da música moderna.

Semana 33: Poemas sinfônicos

Por que ouvir

O poema sinfônico é uma peça orquestral em um só movimento que segue uma história ou uma ideia. Aqui estão quatro exemplos bem diferentes.

Preste atenção

No Aprendiz, o fagote é a vassoura enfeitiçada. Em Romeu e Julieta, compare o tema da briga das famílias com o tema do amor.

Semana 34: Richard Strauss, o narrador

Por que ouvir

Richard Strauss levou o poema sinfônico ao limite. O nascer do sol que abre Zaratustra ficou célebre no cinema.

Preste atenção

Em Till Eulenspiegel, a trompa e um clarinete agudo representam o herói travesso. Ouça o julgamento e o desfecho no final.

Semana 35: Os balés russos em Paris

Por que ouvir

Balés escritos para a companhia de Diaghilev em Paris, com ritmos inquietos e cores orquestrais que ninguém tinha ouvido antes.

Preste atenção

Na “Dança Infernal” do Pássaro de Fogo, ouça os golpes súbitos. Em Petrushka, a feira de rua soa como vários grupos tocando ao mesmo tempo.

Semana 37: O som da América

Por que ouvir

Espaços abertos, hinos e danças de vaqueiro: Copland criou o que muita gente considera o som da música americana.

Preste atenção

Perto do fim de Appalachian Spring aparece a melodia do hino shaker “Simple Gifts”, com variações.

Semana 38: Jazz e orquestra

Por que ouvir

A Nova York dos anos 1920 leva o jazz para a sala de concerto.

Preste atenção

A Rhapsody começa com um clarinete que desliza até o agudo. Em Um Americano em Paris, a partitura pede buzinas de táxi.

Semana 39: A roda da fortuna

Por que ouvir

Poemas medievais sobre sorte, primavera, taverna e amor, musicados com ritmos fortes e repetitivos. Primeiro contato do guia com coro e orquestra.

Preste atenção

“O Fortuna” abre e fecha a obra: a roda da sorte que gira e sempre volta ao início.

Os grandes nomes

Semanas 40 a 52

Sinfonias e concertos centrais do repertório, para fechar o ano com o essencial.

Semana 41: O último Mozart sinfônico

Por que ouvir

A última sinfonia de Mozart termina com um finale em que vários temas se combinam ao mesmo tempo, num virtuosismo de composição raro.

Preste atenção

Na parte final do último movimento, os temas soam juntos, em contraponto. Vale ouvir esse trecho mais de uma vez.

Semana 42: Bach entre danças e órgão

Por que ouvir

Bach em clima de dança e de cerimônia, e a obra para órgão mais famosa de todas.

Preste atenção

A “Air” da Suíte nº 3 ficou conhecida como “Ária na corda sol”. Na Badinerie da Suíte nº 2, a flauta corre sem parar.

Semana 43: Brahms e a sombra de Beethoven

Por que ouvir

Brahms levou cerca de duas décadas para terminar sua primeira sinfonia, intimidado pelo exemplo de Beethoven.

Preste atenção

No finale, uma trompa anuncia um chamado de montanha e logo surge uma melodia larga que lembra a “Ode à Alegria”.

Semana 44: A Patética

Por que ouvir

A última sinfonia de Tchaikovsky, que morreu nove dias depois da estreia. Termina com um movimento lento e sombrio, algo raríssimo.

Preste atenção

O terceiro movimento soa como um final triunfal, e muita plateia aplaude ali. Mas a sinfonia ainda não acabou.

Semana 45: Mahler, o mundo numa sinfonia

Por que ouvir

Mahler dizia que a sinfonia deve abraçar o mundo. Na primeira cabem natureza, canções, uma marcha fúnebre irônica e um final de vitória.

Preste atenção

O terceiro movimento transforma “Frère Jacques”, o nosso “Frei João”, numa marcha fúnebre em tom menor.

Semana 46: Violino no gelo

Por que ouvir

O único concerto de Sibelius, que na juventude sonhava ser violinista. Paisagens geladas e muito virtuosismo.

Preste atenção

O violino entra sobre um tremor suave das cordas, como névoa. O finale tem um ritmo pesado de dança.

Semana 50: Passeio pelo Barroco

Por que ouvir

Um passeio pela música barroca italiana e alemã. Curiosidade: o famoso “Adagio de Albinoni” foi quase todo composto no século XX pelo musicólogo Remo Giazotto.

Preste atenção

No Cânone, o baixo repete as mesmas oito notas do começo ao fim, enquanto os violinos se imitam por cima.

Semana 51: Música sob vigilância

Por que ouvir

Escrita depois de uma crítica do regime soviético que podia custar a vida do compositor. O sucesso da estreia foi enorme, e o sentido da obra é debatido até hoje.

Preste atenção

Ouça o final e decida: vitória sincera ou alegria imposta? Essa pergunta divide músicos e críticos.

Semana 52: Ode à Alegria

Por que ouvir

A sinfonia que termina com coro e solistas cantando a “Ode à Alegria” de Schiller. Beethoven a compôs já completamente surdo. Um fim de ano à altura.

Preste atenção

O finale começa relembrando os temas dos três movimentos anteriores e “recusando” cada um, até chegar à melodia da alegria.

Fim da trilha

Quando terminar, siga para Nível 2 — Ampliando o repertório. Os títulos das obras levam à Wikipedia, e o nome de cada compositor leva à sua biografia. Algumas páginas da Wikipedia estão disponíveis apenas em inglês.

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