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Escuta Clássica

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Nível 2 — Ampliando o repertório

Aqui o ouvido já reconhece a orquestra e as formas básicas. O segundo ano aprofunda os grandes compositores, apresenta a música de câmara (quartetos, trios, quintetos) e abre espaço para obras mais longas e para o repertório brasileiro e latino-americano.

52 semanas.

Clássicos por dentro

Semanas 1 a 13

Haydn, Mozart, Beethoven e Schubert além dos sucessos, com a primeira música de câmara.

Semana 1: Mozart dramático

Por que ouvir

O nº 20 é tempestuoso, quase beethoveniano; o nº 23 é luminoso, com um movimento lento de rara melancolia. Juntos mostram o alcance de Mozart.

Preste atenção

Compare os movimentos lentos: o Adagio do nº 23 está em fá sustenido menor, tonalidade que Mozart quase nunca usou.

Semana 2: O quarteto de cordas

Por que ouvir

Dois violinos, viola e violoncelo: a formação mais nobre da música de câmara, que Haydn praticamente inventou.

Preste atenção

No segundo movimento do “Imperador”, a melodia (hoje hino da Alemanha) passa por cada um dos quatro instrumentos.

Semana 3: O jovem Beethoven

Por que ouvir

Beethoven ainda perto de Haydn e Mozart, mas já cheio de surpresas. A nº 2 foi escrita no mesmo ano em que ele confessou, numa carta, o desespero com a surdez.

Preste atenção

A nº 1 começa “fora do tom”, com um acorde que pede resolução. Nada de abertura tranquila.

Semana 7: Schubert íntimo

Por que ouvir

Schubert escreveu mais de 600 canções (Lieder) para voz e piano. É no Lied que ele é mais pessoal.

Preste atenção

Em “Erlkönig”, um só cantor faz quatro personagens: narrador, pai, filho e o Rei dos Elfos. O piano é o cavalo a galope.

Semana 9: Schumann apaixonado

Por que ouvir

O concerto foi escrito pensando em Clara Schumann, sua esposa e grande pianista. As Cenas Infantis são lembranças da infância vistas por um adulto.

Preste atenção

“Träumerei” (Devaneio), a sétima das Cenas Infantis, é uma das peças para piano mais famosas do Romantismo.

Semana 10: As sinfonias “pares” de Beethoven

Por que ouvir

Ficam entre gigantes (a 3ª e a 5ª, a 7ª e a 9ª) e por isso são menos ouvidas. São cheias de energia e humor.

Preste atenção

O segundo movimento da 8ª tem um tique-taque constante nas madeiras, talvez uma brincadeira com o metrônomo, inventado naquela época.

Romantismo pleno

Semanas 14 a 26

Concertos e sinfonias do século XIX, das escolas alemã, russa, tcheca e francesa.

Semana 15: Tchaikovsky e as cordas

Por que ouvir

O concerto foi considerado “intocável” por um violinista famoso da época e hoje é um dos favoritos do público. A Serenata é uma homenagem a Mozart.

Preste atenção

A segunda parte da Serenata é uma valsa elegante, das mais belas de Tchaikovsky.

Semana 24: Os russos e o Oriente

Por que ouvir

A escola russa do século XIX buscou uma música nacional, inspirada no folclore e no imaginário oriental.

Preste atenção

Nas Estepes, uma melodia russa e uma melodia oriental surgem separadas e depois soam juntas, como duas caravanas que se cruzam.

A virada do século

Semanas 27 a 39

Mahler, Debussy, Ravel, Rachmaninoff e o nacionalismo: o mundo de 1890 a 1940.

Semana 27: Mahler: do luto ao amor

Por que ouvir

Começa com uma marcha fúnebre e termina em celebração. O Adagietto, só para cordas e harpa, é tido como uma carta de amor para Alma, sua esposa.

Preste atenção

O primeiro som é um solo de trompete sozinho, como um toque militar. Depois, o Adagietto (quarto movimento) muda completamente o clima.

Semana 29: Daphnis et Chloé completo

Por que ouvir

A maior obra orquestral de Ravel, que ele chamou de “sinfonia coreográfica”. Há um coro que canta sem palavras.

Preste atenção

O “Nascer do Dia” (início da terceira parte) é uma das páginas orquestrais mais luminosas já escritas: ouça os riachos nas madeiras.

Semana 30: O último Rachmaninoff

Por que ouvir

Duas obras da maturidade, escritas no exílio. As Danças Sinfônicas foram a última composição dele.

Preste atenção

A famosa 18ª variação da Rapsódia é o tema de Paganini virado de cabeça para baixo e tocado lentamente.

Semana 33: Uma montanha na orquestra

Por que ouvir

Um dia inteiro de escalada nos Alpes, da noite à noite: cachoeira, geleira, cume, tempestade. Uma orquestra gigante, com máquina de vento e de trovão.

Preste atenção

Acompanhe a sequência de títulos dos 22 trechos. O “Nascer do sol” surge após a noite inicial, com toda a orquestra.

Semana 34: Paisagem inglesa

Por que ouvir

Vaughan Williams buscou na música antiga e no folclore inglês um som próprio, contemplativo e amplo.

Preste atenção

Em The Lark Ascending, o violino solo imita o voo da cotovia subindo até desaparecer no agudo.

Semana 36: Brasil sinfônico

Por que ouvir

Três momentos da música de concerto brasileira: a ópera romântica de Carlos Gomes, o nacionalismo pioneiro de Nepomuceno e a força modernista de Villa-Lobos.

Preste atenção

A Série Brasileira termina com o “Batuque”, em que a orquestra imita os tambores. No Choros nº 10, o coro canta sílabas que soam como percussão.

Semana 39: América entre jazz e Broadway

Por que ouvir

Gershwin respondeu a quem duvidava dele com um concerto em forma clássica. Bernstein levou a Broadway para a orquestra.

Preste atenção

Nas Danças Sinfônicas, procure o “Mambo!” gritado pelos músicos e a melodia de “Somewhere”.

Século XX e música de câmara

Semanas 40 a 52

Stravinsky, Bartók, Shostakovich, a América Latina e grandes obras de câmara.

Semana 40: A Sagração da Primavera

Por que ouvir

A estreia em 1913, em Paris, terminou em tumulto na plateia. Ritmos irregulares e dissonâncias que mudaram o século XX.

Preste atenção

O início é um fagote tocando no extremo agudo, quase irreconhecível. Depois, na “Dança dos Adolescentes”, conte os acentos imprevisíveis.

Semana 41: Bartók e a orquestra

Por que ouvir

Escrito no exílio americano, já doente, é um “concerto” em que cada naipe da orquestra brilha como solista.

Preste atenção

No segundo movimento, os sopros entram aos pares (fagotes, oboés, clarinetes, flautas, trompetes), cada par em um intervalo diferente.

Semana 42: Prokofiev clássico e moderno

Por que ouvir

A “Clássica” imagina como Haydn escreveria no século XX. O Concerto nº 3 é percussivo, irônico e lírico ao mesmo tempo.

Preste atenção

A Gavotte da sinfonia, de um minuto e meio, é um bom exemplo de humor musical: tudo parece no lugar, mas as harmonias escapam.

Semana 43: Shostakovich concertante

Por que ouvir

Dois retratos opostos: o concerto para violoncelo, escrito para Rostropovich, é áspero e obsessivo; o de piano, escrito para o filho, é alegre e terno.

Preste atenção

O movimento lento do Concerto para piano nº 2 é de uma simplicidade comovente, quase uma canção.

Semana 44: Vozes da América

Por que ouvir

O Adagio é das obras mais tocadas em momentos de luto. Ives, um pioneiro solitário, propõe uma “pergunta” que nunca recebe resposta.

Preste atenção

Em The Unanswered Question, as cordas tocam ao fundo, o trompete faz a pergunta e as flautas tentam responder, cada vez mais agitadas.

Semana 48: Dvořák de câmara

Por que ouvir

O “Americano” foi escrito em poucos dias, durante férias numa comunidade tcheca de Iowa. O Quinteto é um dos pilares do gênero.

Preste atenção

No terceiro movimento do “Americano”, o violino imita o canto de um pássaro que Dvořák ouviu por lá.

Semana 50: América Latina

Por que ouvir

Argentina e México em festa. O Danzón nº 2 virou hino informal das orquestras jovens latino-americanas. Piazzolla responde a Vivaldi em ritmo de tango.

Preste atenção

No “Malambo” que fecha Estancia, o ritmo dos gaúchos argentinos acelera até explodir.

Fim da trilha

Quando terminar, siga para Nível 3 — Escuta aprofundada. Os títulos das obras levam à Wikipedia, e o nome de cada compositor leva à sua biografia. Algumas páginas da Wikipedia estão disponíveis apenas em inglês.

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