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Escuta Clássica

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Nível 3 — Escuta aprofundada

O terceiro ano pede mais concentração e oferece mais em troca. Começa antes de Bach, passa pelas obras tardias de Beethoven e Schubert, pelo Romantismo em seu limite e chega à música do século XX e de hoje. Se uma obra resistir na primeira audição, volte a ela no fim da semana: é assim que estas peças se revelam.

52 semanas.

Das origens ao Barroco

Semanas 1 a 13

Canto gregoriano, polifonia renascentista e o Barroco instrumental em profundidade.

Semana 1: Raízes medievais

Por que ouvir

A música ocidental escrita começa aqui: melodias monofônicas da liturgia cristã e a obra de Hildegard de Bingen, abadessa, mística e uma das primeiras compositoras com nome conhecido.

Preste atenção

Repare que não há harmonia nem pulsação regular: a música segue o ritmo das palavras em latim.

Semana 2: A polifonia renascentista

Por que ouvir

Várias vozes independentes que se entrelaçam: a polifonia. Diz a tradição que a Missa de Palestrina mostrou à Igreja que a música complexa podia deixar o texto inteligível.

Preste atenção

No Miserere, um coro distante repete um trecho que sobe até um dó agudíssimo. Mozart, aos 14 anos, teria transcrito a obra de memória.

Semana 3: Renascença inglesa

Por que ouvir

A Inglaterra elisabetana, de Shakespeare, teve uma música refinada e melancólica, para o teclado, o alaúde e a voz.

Preste atenção

“Flow my tears” virou a peça mais famosa de sua época; Dowland chegou a assinar cartas como “Jo. Dolandi de Lachrimae”.

Semana 5: Variações Goldberg

Por que ouvir

Uma ária e trinta variações sobre a mesma linha de baixo. Uma catedral construída com lógica e imaginação inesgotáveis.

Preste atenção

A cada três variações há um cânone, com o intervalo entre as vozes aumentando. No fim, a ária inicial volta, igual, mas soa diferente.

Semana 7: Bach e o violino

Por que ouvir

A Chacona, que encerra a Partita nº 2, dura cerca de quinze minutos e é considerada um dos maiores feitos da música para violino.

Preste atenção

Na Chacona, um esquema harmônico de quatro compassos se repete mais de sessenta vezes, sempre de um jeito novo.

Semana 10: O Barroco francês

Por que ouvir

Na corte francesa, a música era dança, ornamento e cor. Rameau foi também o grande teórico da harmonia.

Preste atenção

Repare nos ornamentos rápidos do cravo francês: trinados e apojaturas fazem parte da melodia, não são enfeite opcional.

Semana 13: Bach, a lógica final

Por que ouvir

A Oferenda nasceu de um tema proposto pelo rei Frederico, o Grande. A Arte da Fuga ficou inacabada: o último contraponto para de repente.

Preste atenção

Na fuga final da Arte da Fuga, Bach introduz um tema com as notas de seu nome (B-A-C-H, na notação alemã). Pouco depois, a música se interrompe.

Classicismo e o Beethoven tardio

Semanas 14 a 26

Quintetos de Mozart, as últimas sonatas e quartetos de Beethoven e o Schubert final.

Semana 14: Haydn, despedida e Londres

Por que ouvir

A primeira é uma mensagem ao príncipe que mantinha os músicos longe das famílias; a segunda é a última sinfonia de Haydn.

Preste atenção

No final da “Adeus”, os músicos param de tocar um a um, até restarem dois violinos. Em execuções ao vivo, eles saem do palco.

Semana 17: Quartetos dedicados a Haydn

Por que ouvir

Mozart dedicou seis quartetos a Haydn, seu mestre e amigo. Haydn disse ao pai de Mozart que o filho era o maior compositor que conhecia.

Preste atenção

A introdução lenta do “Dissonância” tem choques harmônicos que confundiram os editores da época.

Semana 22: Agradecimento e Grande Fuga

Por que ouvir

O op. 132 tem no centro um “canto de agradecimento” de Beethoven depois de se recuperar de uma doença. A Grande Fuga é tão radical que parece música do século XX.

Preste atenção

No movimento central do op. 132, alternam-se um coral lento e um trecho que Beethoven marcou como “sentindo nova força”.

Romantismo no limite

Semanas 27 a 39

Brahms, Wagner, Bruckner, Mahler e Strauss: o século XIX levado ao extremo.

Semana 29: Liszt visionário

Por que ouvir

A Sonata é um só movimento de meia hora, construída a partir de poucos temas transformados. Os Anos de Peregrinação são um diário de viagem.

Preste atenção

Nas Jeux d'eaux, as cascatas de notas antecipam o impressionismo de Debussy e Ravel.

Semana 30: Wagner sem palavras

Por que ouvir

Uma primeira aproximação de Wagner pela orquestra. O acorde que abre Tristão é considerado o ponto de partida da harmonia moderna.

Preste atenção

No Prelúdio de Tristão, a tensão harmônica quase nunca se resolve: a música vive de desejo e espera.

Semana 31: Bruckner e o Adagio por Wagner

Por que ouvir

Bruckner escrevia o Adagio quando soube da morte de Wagner, a quem admirava. O movimento termina com um lamento das tubas wagnerianas.

Preste atenção

A sinfonia começa com uma melodia longuíssima dos violoncelos sobre um tremolo, que Bruckner disse ter ouvido em sonho.

Semana 37: Os Prelúdios de Chopin

Por que ouvir

Vinte e quatro miniaturas, uma em cada tonalidade, como Bach no Cravo Bem Temperado. Algumas duram menos de um minuto.

Preste atenção

O finale da Sonata nº 2 é um minuto e pouco de notas rápidas em uníssono, sem melodia: “o vento sobre os túmulos”, segundo uma descrição famosa.

Modernidade

Semanas 40 a 52

Do impressionismo ao minimalismo: a música dos séculos XX e XXI.

Semana 41: Ravel sombrio

Por que ouvir

La Valse é a valsa vienense que se desintegra, como o mundo antes de 1914. O concerto foi escrito para um pianista que perdeu o braço direito na guerra.

Preste atenção

Ouça o concerto sem olhar: é difícil acreditar que é uma só mão.

Semana 44: Bartók noturno

Por que ouvir

Bartók construiu formas rigorosas, às vezes simétricas como espelhos, com uma energia ligada ao folclore da Europa central.

Preste atenção

O terceiro movimento da Música para cordas é uma “música noturna”: xilofone, glissandos de tímpano, sussurros. Bartók no seu mais misterioso.

Semana 45: Shostakovich íntimo e público

Por que ouvir

O Quarteto nº 8 é um réquiem pessoal, cheio de citações das próprias obras. A 10ª foi estreada meses depois da morte de Stalin.

Preste atenção

Nas duas obras aparece o motivo D-S-C-H (ré, mi bemol, dó, si): as iniciais do compositor em notação alemã.

Semana 47: Quarteto para o Fim do Tempo

Por que ouvir

Composto e estreado num campo de prisioneiros de guerra, em 1941, para os instrumentos que havia por lá: clarinete, violino, violoncelo e piano.

Preste atenção

O terceiro movimento, “Abismo dos pássaros”, é só para clarinete, com notas que nascem do silêncio e crescem.

Semana 48: Brasil moderno

Por que ouvir

Villa-Lobos maduro e a geração que veio depois dele, que fez da música brasileira uma linguagem de concerto sofisticada.

Preste atenção

No “Prelúdio” da Bachianas nº 4, procure a influência de Bach; no “Miudinho” final, o ritmo de dança brasileira.

Semana 50: A América de Ives e Copland

Por que ouvir

Ives sobrepõe bandas, hinos e marchas como lembranças que se misturam. A 3ª de Copland incorpora a Fanfarra para o Homem Comum ao finale.

Preste atenção

Em “Putnam's Camp”, duas bandas tocam em tempos diferentes ao mesmo tempo, como numa parada real.

Semana 51: O sagrado minimalista

Por que ouvir

No fim do século XX, alguns compositores do Leste Europeu buscaram uma música despojada, quase litúrgica.

Preste atenção

Pärt chama seu estilo de tintinnabuli: uma voz move-se em passos, a outra toca só as notas de um acorde, como sinos.

Semana 52: O pulso contemporâneo

Por que ouvir

Uma hora de pulsação contínua, em que padrões se transformam aos poucos. Um encerramento para mostrar que a música clássica continua viva.

Preste atenção

Não procure melodias: perceba como as mudanças lentas transformam a textura e o tempo parece desaparecer.

Fim da trilha

Quando terminar, siga para Trilha das Vozes — Coral e Ópera. Os títulos das obras levam à Wikipedia, e o nome de cada compositor leva à sua biografia. Algumas páginas da Wikipedia estão disponíveis apenas em inglês.

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