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Escuta Clássica

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Trilha das Vozes — Coral e Ópera

Obras vocais pedem outro tipo de escuta: o texto importa. Ouça com o libreto ou a tradução por perto (os links estão na página Onde Ouvir). Como muitas destas obras são longas, a sugestão é avançar uma obra a cada duas semanas, em paralelo com qualquer nível, ou dividir as óperas em dois dias, ato por ato.

26 semanas.

Música sacra

Semanas 1 a 8

Do Barroco ao Romantismo: Gloria, réquiens, oratórios e uma missa brasileira.

Semana 2: O Réquiem de Mozart

Por que ouvir

Mozart morreu antes de terminar esta missa dos mortos; seu aluno Süssmayr completou a obra. Cercada de lendas, é das obras corais mais amadas.

Preste atenção

O “Lacrimosa” é interrompido depois de oito compassos no manuscrito de Mozart. Tente perceber onde a mão do aluno assume.

Semana 3: Stabat Mater

Por que ouvir

Escrito por um compositor de 26 anos, à beira da morte. A dor de Maria aos pés da cruz, para soprano, contralto e cordas.

Preste atenção

Repare nas dissonâncias suaves entre as duas vozes no primeiro número, que se chocam e se resolvem.

Semana 4: Bach: Magnificat e cantata

Por que ouvir

Bach escreveu mais de 200 cantatas para a liturgia luterana. Da BWV 147 vem o coral conhecido como “Jesus, alegria dos homens”.

Preste atenção

O coral “Jesus bleibet meine Freude” aparece duas vezes na cantata: a melodia simples do coro sob o fluxo contínuo das cordas e do oboé.

Semana 5: Um réquiem sereno

Por que ouvir

Fauré deixou de fora o Dia do Juízo e escreveu um réquiem de consolo, que ele mesmo descreveu como uma canção de ninar da morte.

Preste atenção

No “Pie Jesu”, uma soprano sozinha canta sobre um acompanhamento quase imóvel.

Semana 7: Um réquiem brasileiro

Por que ouvir

O padre José Maurício, mestre de capela da corte de D. João VI no Rio de Janeiro, foi o maior compositor brasileiro de seu tempo. Este réquiem é sua obra-prima.

Preste atenção

Compare com o Réquiem de Mozart (semana 2), que o próprio José Maurício regeria no Rio em 1821, na primeira execução da obra no Brasil. São parentes de época, mas a voz do brasileiro é própria.

Semana 8: O Messias

Por que ouvir

O oratório mais executado do mundo. Se for muito longo para uma semana, ouça a Parte I (a do Natal) e o final da Parte II, com o “Aleluia”.

Preste atenção

No “Aleluia”, a palavra é repetida em ritmos diferentes, e a frase “King of Kings” sobe degrau por degrau.

Primeiras óperas

Semanas 9 a 17

As óperas mais populares, com histórias fáceis de seguir e árias famosas.

Semana 11: Carmen

Por que ouvir

Ciúme, liberdade e morte em Sevilha. Chocou o público em 1875 e hoje é uma das óperas mais encenadas do mundo.

Preste atenção

A “Habanera” e a canção do Toureador são as famosas, mas ouça o tema do destino, que aparece já no prelúdio.

Semana 12: La Traviata

Por que ouvir

Inspirada em A Dama das Camélias, de Dumas Filho. Uma das óperas mais intimistas de Verdi.

Preste atenção

No fim do primeiro ato, Violetta alterna entre o devaneio amoroso de “Ah, fors'è lui” e o virtuosismo libertino de “Sempre libera”.

Semana 13: O Réquiem de Verdi

Por que ouvir

Uma missa dos mortos escrita por um homem de teatro, em memória do escritor Alessandro Manzoni.

Preste atenção

O “Dies irae” explode com golpes de bumbo e metais. Ele volta várias vezes ao longo da obra.

Semana 15: La Bohème

Por que ouvir

Jovens artistas pobres em Paris. Puccini funde melodias inesquecíveis com uma ação rápida e natural.

Preste atenção

No primeiro ato, a sequência “Che gelida manina” e “Sì, mi chiamano Mimì” é o encontro de amor mais famoso da ópera.

Semana 16: As Bodas de Fígaro

Por que ouvir

Um dia louco num palácio, com criados mais espertos que os patrões. Para muitos, a ópera perfeita.

Preste atenção

O final do segundo ato é uma cena contínua de cerca de vinte minutos em que entram personagens e complicações sem parar.

Semana 17: O Guarani

Por que ouvir

Baseada no romance de José de Alencar, foi um sucesso no Teatro alla Scala de Milão em 1870 e fez de Carlos Gomes o primeiro compositor brasileiro aclamado internacionalmente.

Preste atenção

A Protofonia (abertura) ficou conhecida no Brasil como a música de abertura de “A Voz do Brasil”.

As grandes obras

Semanas 18 a 26

Paixões, missas monumentais e as óperas mais profundas do repertório.

Semana 18: Aida

Por que ouvir

Grande espetáculo no Egito antigo, mas com um drama íntimo no centro: o amor proibido entre um general e uma escrava.

Preste atenção

A Marcha Triunfal do segundo ato usa trompetes longos, especiais para a ópera. Depois, compare com o dueto final, quase sussurrado.

Semana 19: Tosca

Por que ouvir

Um thriller político em Roma, em 1800, com três atos tensos que acontecem em menos de um dia.

Preste atenção

Os três acordes violentos que abrem a ópera representam o vilão Scarpia. Eles voltam sempre que ele domina a cena.

Semana 20: Paixão segundo São João

Por que ouvir

O relato da Paixão de Cristo segundo o Evangelho de João, com um narrador (o Evangelista), árias de meditação e corais.

Preste atenção

O coro inicial, “Herr, unser Herrscher”, começa com as cordas girando em ondas sobre um baixo pulsante e dissonâncias nos sopros.

Semana 25: Madama Butterfly

Por que ouvir

A tragédia de uma jovem japonesa abandonada por um oficial americano. Puccini estudou melodias japonesas para compor.

Preste atenção

Em “Un bel dì vedremo”, Butterfly imagina o retorno do marido. O “Coro a bocca chiusa”, cantado de boca fechada, é a noite de espera.

Semana 26: Paixão segundo São Mateus

Por que ouvir

Para muitos, a maior obra da música ocidental. Esquecida após a morte de Bach, foi recuperada por Mendelssohn em 1829. Um encerramento à altura de toda a jornada.

Preste atenção

As palavras de Jesus são acompanhadas por um “halo” de cordas sustentadas, que desaparece apenas quando ele morre.

Fim da trilha

Os títulos das obras levam à Wikipedia, e o nome de cada compositor leva à sua biografia. Algumas páginas da Wikipedia estão disponíveis apenas em inglês.

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